ADDO ELEPHANT NATIONAL PARK — NATUREZA SELVAGEM

Addo Elephant National Park

O som começara durante a noite, ainda os primeiros raios de amanhecer não batiam sobre o Addo Elephant National Park. Escuro demais para os nossos olhos, mas claro o suficiente para eles acordarem e começarem em busca do pequeno-almoço.

O rugir do leão (ou seria leões?) começou muito cedo a entrar nos nossos sonhos, sem que conseguíssemos distinguir se não seria isso mesmo, se não estaríamos a sonhar.

“Ouviram durante a noite?”, perguntou o guia quando chegámos junto ao Jeep que nos iria levar no safari. “São leões e andavam perto. Vamos ver se os conseguimos ver esta manhã”.

Eram 6 da manhã e, ao contrário do que era de prever, a temperatura não subira quase nada e o ar estava bastante gélido no Addo. Quando entrámos na viatura, os restantes visitantes que iriam fazer a visita connosco estavam embrulhados em agasalhos e havia mesmo quem tivesse levado uma manta.

Achei tudo um grande exagero, mas quando começámos a percorrer aquele que é o terceiro maior parque nacional da África do Sul, pensei que os restantes participantes já deviam de ser repetentes nestas andanças e que eu é que era a estranha por apenas ter levado uma t-shirt e uma sweatshirt bastante fina.

Prontos para a viagem
Prontos para a viagem

Mais de 600 animais no Addo Elephant National Park

Ao todo o Addo ocupa cerca de 180 mil hectares de território perto de Port Elizabeth. Primeiro por caçadores, entre os anos de 1700 e 1800, e depois pelos primeiros fazendeiros que ocuparam aquela região, a população de elefantes foi aqui dizimada durante anos. A matança foi de tal ordem que quando a área foi considerada como protegida, em 1931, apenas restavam 11 elefantes na zona.

Hoje, o Addo Elephant National Park é um santuário para mais de 600 animais, entre elefantes, leões, búfalos, rinocerontes, hienas, leopardos, antílopes e zebras. Isto sem falar nas espécies de aves que por ali voam.

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O espaço é imenso, mas não demorámos muito na estrada até que pudéssemos começar a ver animais. Primeiro uma hiena, nova, com o pelo ainda cor de leite, como explicou o guia. Ao que se seguiram antílopes e zebras. Mas nada de leões.

“Eles caçam logo ao início do dia e por esta hora, à medida que a manhã avança, já estão mais escondidos”, foi-me explicado pelo guia.

Por minha tristeza, estava quase excluída a hipótese de ver os leões que me tinham assaltado o sono durante a madrugada. Apesar disso, olhava para a paisagem sempre na antecipação de ver uma qualquer juba a abanar por ali.

Posta de lado a ideia, vamos então aos grandes mamíferos. Afinal, estamos num parque de elefantes.

Mas de elefantes também nada. Ao longe, no vale, conseguia ver uma manada deles, mas estavam longe demais, não maiores que uma unha do dedo mindinho. De um dedo muito pequenino.

 

Encontro Feliz

Visitar um parque selvagem tem destas coisas. É um pouco como o surf. Não mandamos no mar e as ondas aparecem quando têm que aparecer. Aqui é igual. Os animais estão em estado selvagem, por isso surgem quando tem que ser. Ou quando temos a sorte de nos cruzarmos com eles.

E quando já pensava que não teria essa sorte, eis que numa estrada, estreita de largura e com arvoredo em ambos os lados, surge um elegante à nossa frente. Estamos a falar de uma espécie de porte mais pequeno, mas, ainda assim, um elefante!

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De imediato foi-nos dito para não fazermos barulho nem movimentos bruscos, para que ele permanecesse ali o maior tempo possível. O meu coração acelerava num misto de excitação e receio.

Ele começou a andar pela estrada na nossa direção, mas sem ligar muito à nossa presença.

E eis quando outros surgem por detrás do mato! Eram três e provavelmente haveriam outros membros da manada por perto.

Sentada no Jeep completamente aberto, com os elefantes a passarem ao lado, se esticasse o braço quase que poderia tocar-lhes. Não o fiz. Por muito que os animais já possam estar habituados à presença do Homem, nunca nos podemos esquecer que são selvagens e que para mantermos o equilíbrio natural, não devemos alterar a sua rotina ou invadir o seu espaço.

Percorremos o parque durante cerca de 2 horas, o que pareceu muito pouco tendo em conta a extensão deste. Mas ainda hoje, para além das imagens vividas dos animais que pude observar, o som daquele leão ecoa na minha cabeça. Por pouco não nos vimos. Quem sabe um dia. 😉

 

A saber sobre o ADDO ELEPHANT NATIONAL PARK…

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Vista do quarto

ALOJAMENTO

Optámos por ficar no campo principal do Addo Elephant National Park. Por um chalet com duas camas pagámos cerca de 60€ por pessoa. O quarto era amplo, com acesso direto a uma kitchenette, com uma vista sobre o parque simplesmente magnífica.

À cozinha não demos uso, porque íamos ficar apenas uma noite, por isso optámos pelo restaurante do Addo. A refeição foi simpática, mas nada de extraordinário. Mas, também, não era para isso que ali estávamos.

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No Centro de Interpretação do Addo. A cabeça é uma réplica, claro!

AS ATIVIDADES

Pagámos cerca de 20€ por pessoa para fazer a visita guiada e vale muito a pena. Foi-nos indicado que a melhor altura para avistar animais é logo pela manhã e ao final do dia, por isso, sugiro que opte pela visita das 6:00 ou a das 18:00 ou 19:00. O parque organiza passeios a outras horas do dia, mas poderá não ser tão indicado para encontrar alguns animais… como os leões. 😉

No Addo pode também fazer trilhos de 4×4, caminhadas ou passeios a cavalo. Pode igualmente optar por guiar a sua própria viatura, mas, sinceramente, é muito melhor seguir com alguém que conhece os cantos à casa.

Se passar a noite no parque aproveite para espreitar os postos de vigia próximos de alguns lagos da propriedade. A ideia é que chegue lá sem fazer barulho e fique de sentinela. Se tiver sorte, como eu, algum rinoceronte vai aparecer para beber água. 😉

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COMO CHEGAR

As instalações principais do Addo Elephant National Park ficam a 70 km de Port Elizabeth. Vai começar a ver sinais de indicação pela estrada. Os portões do parque abrem de acordo com a estação, por isso consulte o site da reserva para mais indicações.

 

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NOTA DE EDIÇÃO: Como podem verificar, as imagens deste post não são das melhores. Infelizmente, as mais de 100 imagens que recolhi do Addo Elephant National Park perderam-se numa mudança de computadores, apenas restando umas poucas de uma máquina de menor qualidade. Eis que aprendo à força a necessidades de backups… Enfim, espero que neste post as palavras falem mais alto e consigam visualizar toda a beleza do parque e dos seus animais.

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18 comments

  1. Que pena isso das fotos, mas fica ao relato que é muito bom. Por acaso fiquei com muita curiosidade de ver como são os chalets 😀 Adoro estes sítios de habitat natural para os animais. Boas viagens!

    1. Nada. Não sobrou uma foto do interior do chalet para mostrar. 🙁 Mas era muito simples, de telhado alto feito de colmo e vigas de madeira. Como fiquei apenas uma noite, apenas serviu para dormir, mas estava bem equipado, preparado caso quiséssemos fazer refeições lá. Mas a vista era espantosa sobre o parque. 🙂

  2. Que incrível! Tenho muita vontade de conhecer safári, mas confesso que tenho também medo. Estou pensando em fazer no Quênia. Uma pena pelas fotos, já perdi algumas e hoje sempre lembro do baço up 🙂

  3. que triste que você perdeu as fotos, mas o que vale é a experiência! eu amoooo a África do Sul, o meu país preferido no mundo, e o seu post me fez relembrar muitas coisas boas, adorei!!

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