National Geographic Exodus Aveiro Fest

National Geographic Exodus Aveiro Fest

Como começar por descrever o que foi o National Geographic Exodus Aveiro Fest?…

Como devem estar recordados, em abril falei-vos das razões pelas quais não podia perder o Exodus, e um grande motivo era a presença de 10 dos melhores fotógrafos e videomakers do mundo.

Com essa premissa não podia estar mais expectante sobre o fim de semana de 1, 2 e 3 de dezembro… e não decepcionou!

Durante estes três dias fascinei-me, emocionei-me e aprendi sobre fotografia, o poder da imagem, as histórias que elas contam e podem contar.

Todos os fotógrafos foram incríveis! Com as participações distribuídas pelos vários dias do evento, nenhum arredou pé e estiveram sentados na audiência durante todo o festival. Sempre acessíveis para qualquer um que quisesse falar com eles, fazer perguntas ou simplesmente conhecê-los.

Estávamos com vencedores do World Press Photo, fotógrafos do National Geographic, profissionais de eleição da Red Bull, videomakers-sensação, como quem está com um grupo de amigos.

Já para não falar nos cerca de 600 participantes (eu incluída), entre fotógrafos profissionais, amadores ou simples curiosos da fotografia, que conviveram durante este fim de semana num ambiente descontraído e partilha de conhecimento.

As apresentações Incríveis do National Geographic Exodus Aveiro Fest

Foram nove Speaking Sessions inesquecíveis (Jody MacDonald teve que cancelar a sua presença por ter contraído malária na sua última viagem) onde se falou de vários tipos de fotojornalismo, de fotografia e vídeo de viagem e desportos de ação.

Já para não falar da justa homenagem a Reza Deghati, “um fotógrafo com uma carreira excepcional, repleta de trabalhos marcantes, e com incríveis feitos no domínio dos direitos do Homem.”

Para quem não esteve, aqui fica uma pequena amostra do que se passou. Mas fiquem já a saber: o National Geographic Exodus Aveiro Fest está de volta a 1 e 2 de dezembro de 2018  🙂

 

Reza Deghati, Personalidade do Ano

Reza Deghati

Nunca tinha ouvido falar do trabalho de Reza Deghati antes deste evento, mas rapidamente percebi porque tinha sido escolhido para Personalidade do Ano.

Reza é fotojornalista há mais de 30 anos e, em Portugal, pisou o seu 100º país. Exilado em Paris, já foram vários os cenários de guerra e campos de exilados por onde passou.

Fui preso aos 23 anos, torturado, mas resisti porque acreditei que o que eu faço é justo

Ele levou-nos numa viagem através dos países que atravessou: Afeganistão; Beirute no Líbano; África do Sul durante o Apartheid; pela capital da Bósnia e Herzegovina, Sarajevo; ou Ruanda, antes, durante e após o massacre.

Com toda a sua experiência profissional e pessoal, Reza permanece fiel à essência da sua fotografia: contar através de imagens e com simplicidade a história de quem conhecemos.

 

Ami Vitale

Ami Vitale

A senhora que deu início às Speaking Sessions é uma das minhas fotógrafas preferidas e com quem, de resto, tive uma Masterclass no 3º dia do National Geographic Exodus Aveiro Fest.

Ami Vitale era editora quando um dia decidiu mudar de vida e ir para o terreno. Esteve em cenários de guerra, cobriu catástrofes naturais, mas o que hoje lhe abre o coração e o sorriso foi a oportunidade única de reportar o mundo dos pandas na China.

Os responsáveis gostaram tanto de mim que me deram o privilégio de pegar em dois pandas… o Presidente Obama só pegou num!

Para Ami, “a câmara é uma ferramenta poderosa” e o segredo da fotografia está “na confiança que ganhamos, no tempo que despendemos e no entender a história”.

 

Mário Cruz

Mário Cruz

Foi o representante português deste festival e ganhou o respeito dos seus pares, de quem o conhecia ou de quem o ouviu pela primeira vez.

Já tinha ouvido falar do Mário pela distinção que conquistou no World Press Photo, mas nunca tinha tido a noção do trabalho que esteve por detrás do seu projeto sobre os Talibes.

Fotojornalista da Lusa, Mário pediu uma licença sem vencimento para, durante seis meses, perseguir a história sobre as falsas escolas corânicas existentes no Senegal e as crianças nelas escravizadas.

A dimensão e crueza das imagens a preto e branco de Mário Cruz, o que ele passou para as obter, não deixaram ninguém indiferente e o fotojornalista “responsabilizou” todos os presentes a divulgar e a denunciar a situação, para que estes estabelecimentos sejam encerrados.

 

Konsta Punkka

Konsta Punkka

Konsta Punkka estava nervoso quando pisou o palco. Talvez pela sua tenra idade comparado com os seus pares ali presentes, ou talvez pelo inglês esforçado.

Mas o “encantador de esquilos”, como também é conhecido, deixou as imagens falarem mais alto.

Konsta partilhou a paixão pela natureza, os truques para captar uma imagem de vida selvagem e apresentou-nos os “seus animais”, cada cria, cada buraco por onde espreitou durante horas até conseguir obter a fotografia que queria.

Conhece o ambiente; conhece os animais e os seus hábitos

 

Shams

Shams

Outro nome que nunca tinha ouvido falar até este evento: Shams!

O filmmaker segue um lema de vida: Escolhe um trabalho que ames, e nunca terá que trabalhar um único dia na vida. E foi por essa viagem de como achou o seu sentido da vida que o cinematógrafo nos conduziu.

 

Michael Clark

Michael Clark

A palestra de Michael Clark deu início ao segundo dia do National Geographic Exodus Aveiro Fest. Clark é um nome incontornável da fotografia de aventura e desportos de ação, com o seu telefone a tocar frequentemente para acompanhar os atletas de topo da Red Bull.

Procura as situações que te fazem medo e supera-as, porque por detrás delas podem bem estar verdadeiros tesouros

Muitas vezes a ultrapassar as fronteiras físicas e mentais para alcançar determinada imagem, o fotógrafo acredita que nos descobrimos de um modo totalmente novo e diferente quando enfrentamos os nossos medos.

 

Peter McBride

Peter McBride

A história de Peter McBride é um conto de amor pela terra onde nasceu e pelo ambiente que o circula. Um dos fotógrafos mais animados do Exodus, o homem que pôs o rio Colorado a falar, contou como utilizou a fotografia para mostrar a situação grave, de seca extrema, em que o maior curso de água dos EUA se encontra.

Algumas vezes são os projetos que nos encontram

O “The Canyon” foi o projeto que se seguiu para McBride que durante um ano – 71 dias do qual a fazer caminhadas que o puseram a teste -, desvendou um Grand Canyon que passa ao lado de muitos e os perigos que o parque natural enfrenta, em grande parte devido ao turismo crescente.

 

GMB Akash

GMB Akash

GMB Akash foi o homem que, para além de Reza Deghati colocou a plateia de pé a aplaudir o seu trabalho. Aksh é natural do Bangladesh e é de lá que surgem muitas das suas imagens sobre alguns dos flagelos da sociedade que o viu nascer.

Fotografias que são um verdadeiro muro no estômago, de refugiados, escravos sexuais, doença mental e escravatura infantil.

Muitas vezes não quero tirar estas fotografias, mas tenho que as tirar para poder mostrar e denunciar estas situações

Mas para além de limitar-se a fotografar, Akash usa os meios que tem ao seu alcance — nomeadamente o resultado da venda do seu livro “Survivors” — para incentivar o trabalho para muitas famílias e acabar com algumas das situações que testemunha.

 

Oliver Astrologo

Oliver Astrologo

Provavelmente já se cruzou na internet com um dos vídeos deste videógrafo. Não é à toa que é um dos maiores contribuidores do Vimeo e homem bastante cobiçado pelas juntas de turismo de vários países.

Os vídeos de Oliver mostram locais e dimensões de um destino que as pessoas raramente conhecem. A eles ninguém fica indiferente, atraídos ainda mais por técnicas de filmagem e de edição extraordinárias.

 O mais importante é que as imagens originem sensações

 

Elia Locardi

Elia Locardi

Elia Locardi é o verdadeiro nómada. Na companhia da mulher vendeu a maioria dos seus bens, colocou o resto em armazém e levou apenas o que podia carregar em poucas malas. Desde aí que o mundo é a sua casa e o que não faltam são “quintais” espetaculares para fotografar.

Cria o extraordinário!

Locardi não engana ninguém. A técnica de fotografia está lá, o aproveitar da luz certa, das condições climatéricas. Mas a verdadeira magia das suas imagens está em técnicas de pós-produção que não hesita em revelar.

E foi assim que terminou a primeira edição do National Geographic Exodus Aveiro Fest. Muito mais há para dizer, uma vez que os dois dias de evento foram repletos de atividades e muita aprendizagem. Mas se tiverem curiosidade, espreitem o trabalho destes fotógrafos e digam-me depois qual gostam mais. Posso então revelar-vos mais uma ou outra ideia que tenha ouvido ou aprendido no festival.

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16 comments

  1. Confirmo tudo! Também lá estive e achei que o evento foi extraordinário. A organização escolheu, sem dúvida, as pessoas certas para as speaking sessions. Foi muito inspirador mesmo. Até deu para eu amadurecer umas ideias que já tinha para um futuro projeto online. Foi pena não nos termos encontrado por lá. Fica para o ano que vem!

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