POLONNARUWA – À DESCOBERTA DA ANTIGA CAPITAL

Polonnaruwa

Polonnaruwa não estava na lista de locais a visitar quando primeiro embarquei para o Sri Lanka. Tinha em mente ir ao templo de Dambula ou subir Sigiriya, mas nunca tinha ouvido falar nesta cidade, nem sobre a sua importância para a história do país. Mas quando estava no litoral, pronta para rumar ao norte, decidimos que tínhamos tempo para fazer o desvio até Polonnaruwa. Talvez uma das decisões mais acertadas. Conduzimos durante quatro horas de Arugam Bay até Polonnaruwa, a maioria do tempo pela estrada que acompanha a linha costeira. A proximidade a cada grande cidade trazia sempre a confusão de trânsito, mas assim que nos afastávamos, a condução tornava-se mais tranquila e segura.

Prepare-se para andar em Polonnaruwa

Durante três séculos Polonnaruwa foi a capital do país, de onde reis governavam de uma posição privilegiada no centro do Sri Lanka. A cidade atingiu o apogeu durante o reinado de Parakramabahu I (r. 1153-86), tendo este ordenado a construção de grandes edifícios e bonitos parques. Mas foi a partir do séc. XIII, quando o centro governativo se mudou para o lado oeste da ilha, que Polonnaruwa foi entregue ao abandono. Hoje, pelo que representa para a história do país e o estado de conservação das ruínas, o local foi considerado pela UNESCO como Património da Humanidade. A área abrangida por Polonnaruwa é ainda bastante extensa, dividindo-se em vários núcleos. Para ver tudo, o ideal é que passe aqui o dia. Mas porque ainda terá alguma distância a percorrer, pode sempre alugar uma bicicleta ou, como no nosso caso, um tuk-tuk.

A Estátua de Parakramabahu… ou será que não?

Demos início ao nosso passeio junto da estátua de Parakramabahu, mesmo à entrada do parque arqueológico. Muitos atribuem a imagem ao rei, apesar de outros defenderem que devido ao objeto que tem nas mãos, possivelmente um manuscrito, tratar-se de um sábio, um erudito, como Pulasti, Agastya ou Kapila.

Potgul Vihara

A poucos metros da estátua entrámos nos terrenos de Potgul Vihara, os vestígios de uma biblioteca-santuário. Se assim for, pode muito bem ser o mais antigo complexo bibliotecário de todo o Sri Lanka.

Deepa Uyana

Lá seguimos de tuk-tuk em direção a Deepa Uyana (também conhecido como a Ilha-Jardim). Mesmo à frente do The Lake House (onde nos dizem que um dia ficou hospedada a Rainha de Inglaterra), o nosso condutor fez questão de nos apresentar um dos mais antigos anfitriões do local: um grande peixe que vive num lago mesmo à entrada do polo arqueológico e que não é tímido para com as máquinas fotográficas. Neste núcleo encontrámos as ruínas de importantes monumentos, entre os quais a Sala do Concelho do Rei Nissankamella (1187-1196). Aqui também podemos visitar um extenso complexo de banhos ou apreciar as ruínas da Casa de Verão, banhada pelas águas do grande lago. A figura do leão, na sala do concelho, era o trono do rei, segundo inscrições na barriga do mesmo. Enquanto nos pilares, outros registos mostram os respetivos lugares dos ministros e oficiais de Estado.

Museu Arqueológico de Polonnaruwa

Claro que um local destes, repleto de importantes achados arqueológicos, conta com um museu onde pode compreender melhor a história por detrás de Polonnaruwa. Cada sala do Museu Arqueológico de Polonnaruwa é dedicada a um tema, desde a cidadela, aos arredores, passando pela zona dos mosteiros e os principais monumentos hindus. Também aqui poderíamos passar um bom bocado de tempo, apreciando cada objecto exposto, mas face ao que ainda tínhamos a percorrer fizemos uma visita-relâmpago.

Thivanka Pilimage (ou a Casa das Imagens)

O nosso condutor de facto decidiu assumir o papel de guia e por esta altura já decidia o que íamos ver a seguir. Eu perguntava-lhe por Gal Vihara, um dos locais mais conhecidos de Polonnaruwa, mas ele insistia que tínhamos que deixar esse para último, “quando já estiver a ficar de noite… confiem em mim!”. O meu receio de perder luz e não conseguir tirar umas fotos do local punha-me nervosa, mas, vá, “o homem deve saber do que fala”, pensava. Voltando à estrada, levou-nos até Thivanka Pilimage, um templo que guarda um Buda com cerca de 8 m (ou pelo menos o que resta dele). O local ficou igualmente conhecido pelas pinturas encontradas nas paredes, muitas retratando histórias de Jataka. São alguns dos melhores exemplos dos murais de Polonnaruwa. O que achei extraordinário foi encontrar um espaço preenchido por estudantes de arte que replicavam no papel as imagens das paredes.

Nelum Pokuna e Siva Devale 2

A correria continuava, passando por outros marcos mais pequenos, mas nem por isso menos importantes. Nelum Pokuna ou Lotus Pond (Lagoa de Lótus), destaca-se pelo seu formato. Terá pertencido ao mosteiro de Jetavanarama, construído pelo rei Parakramabahu. Fomos ainda a Siva Devale 2, que o nosso condutor salientou tratar-se do mais antigo templo hindu de Polonnaruwa. Quis que tirássemos uma foto em frente, dizendo que os casais costumam visitar este templo para pedir prosperidade para o futuro. Quem somos nós para ir contra a tradição.

O Quadrângulo

Não desistam já de mim! Eu avisei desde o início que Polonnaruwa é vasta, mas a cada esquina cruzamo-nos com mais edifícios e locais extraordinários. O Quadrangle (Quadrângulo) é outro desses lugares. O nome vem do formato deste complexo com um conjunto compacto de ruínas, entre as quais Vatadage, de formato circular, com uma estupa guardada por quatro estátuas do Buda.

Rankot Vihara, Kiri Vihara e Lankatilaka

O tempo corria e o fim do dia aproximava-se a passos largos, mas havia ainda tanto para ver. A dimensão destes próximos monumentos deixam qualquer um sem fôlego. Primeiro, Rankot Vihara. Com os seus 54 m de altura, é a maior dagoba de Polonaruwa e a quarta maior de toda a ilha. Já Kiri Vihara, cujo nome significa “branco de leite”, sobressai na paisagem pela sua cor. Largada ao abandono por mais de 700 anos, engolida pela selva local, foi encontrada em perfeito estado e é hoje uma das dagobas mais bem preservadas de Polonnaruwa. Por último, a presença imponente de Lankatilaka continua com o passar do tempo, isto apesar do seu tecto já ter cedido. Gostava de ter visto melhor esta catedral, mas por esta altura o sol estava já escondido e ainda tínhamos um último local a visitar: Gal Vihara.

Gal Vihara

Toda a minha impaciência em visitar este local estava nas imagens que tinha visto… e não decepcionou. Gal Vihara reserva  quatro imponentes imagens do Buda que representam toda a arte do povo cingalês no trabalho com a pedra. E não estamos a falar de exemplares pequenos. Desde o Buda em pé, com 7 m, ou o Buda deitado, com 14 m de comprimento, a magnificência destas estátuas fazem-nos sentir bem pequeninos. E, sim, o nosso condutor tinha razão: à noite, estes Budas ganham outra magia.

Onde Dormimos

A noite que passámos em Polonnaruwa ficamos alojados no Leesha Tourist Home. Este é um sítio bastante simples, à beira da estrada, por isso não espere grandes mordomias. O dono recebeu-nos com simpatia, oferecendo-nos muita informação sobre o local e pondo-nos em contacto com o condutor que nos acompanhou na visita a Polonnaruwa. Pagámos 2.800 rupias por noite, uma vez que quisemos ficar num quarto com AC. Claro que na hora de pagar já nos estava a cobrar 2.850 rupias… pagámos as 2.800 combinadas. 😉 Caso pretenda ver outros locais onde ficar, siga as ligações em baixo: Booking.com

Onde comemos

Não há grande oferta de restaurantes pela cidade, mas, logo à entrada, vimos um sítio chamado Chili’s que nos pareceu com bom ar. Aqui encontrámos uma grande variedade de comida local, incluindo pratos sem picante (o que por esta altura já era uma bênção). Aqui pagámos cerca de 1.500 rúpias por refeição.

O que acharam de Polonnaruwa? Do que leram, qual o vosso lugar favorito? Partilhem comigo na caixa de comentário em baixo.

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20 comments

  1. Caramba, tinha incluído Polonnaruwa no meu roteiro esse ano… mas, por uma estão de tempo, vou ficar apenas na India. Mas acho que talvez consiga incluir ele em uma viagem pata Tailândia; Obrigada pelas dicas 🙂

  2. Em parte Polonnaruwa fez me lembrar angkor wat, deve ser por também se tratar de ruinas brutais de varios seculos passados =)

    Opa no sri lanka também são trapaceiros? Hehe sempre a tentar sacar mais umas quantas rupias, quem sabe não pega 😉

    1. Não achei muito, Marta. Claro que à porta dos monumentos ou dos templos mais conhecidos, lançam sempre a escada 😉 Mas na maioria das vezes sempre ofereciam ajuda sem pedir nada em troca. Se calhar tivemos sorte, mas pareceu-me ser um povo de bom fundo.

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