SIGIRIYA — SUBIR AO LEÃO

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A história de Sigiriya é talvez uma das mais antigas no Sri Lanka e em torno dela ainda existem muitas dúvidas sobre a verdadeira utilização daquele local.

Conta a lenda que o Rei Kassapa (477-495) teria escolhido aquela montanha para construir no topo o seu palácio e jardins, tornando-o de difícil acesso. Isto após ter derrubado do trono e matado o pai, o Rei Dhatusena de Anuradhapura.

Porém, arqueológos têm vindo a descobrir novos indícios que, ao contrário do que se conta, Sigiriya pode bem ter sido um mosteiro e não um palácio-fortaleza.

Quer fosse para proteger o rei ou isolar monges, a verdade é que o acesso ao topo deste monumento é deveras um desafio.

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A primeira visão sobre Sigiriya

Conquistar Sigiriya

Seguimos a sugestão do Lonely Planet e fomos cedo para Sigiriya, mas apesar de chegarmos às 9:00, já o sítio estava cheio de visitantes que se apressavam a comprar o bilhete (custa 30 dólares) e a colocar-se a caminho, rumo ao topo de uma pequena montanha.

A primeira visão sobre este local é fabulosa. Um longo percurso que nos encaminha por entre fossos e piscinas, os quais dão a entender o que em tempos seriam magníficos jardins de água, imersos em vegetação luxuriante, e que culmina no sopé de um monte, recortado por escadas de perder a vista, até ao cimo.

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Vamos ser sinceros. Eu até sou uma pessoa que acredita estar minimamente em forma, mas subir Sigiriya fez-me ficar mais modesta em relação à minha condição física. Não é pera doce! Começamos cheios de energia, mas rapidamente descemos à realidade à medida que subimos os intermináveis lanços de escada, um após outro.

Este local não de todo indicado para quem tem dificuldades físicas ou pouca mobilidade. Para além das centenas e centenas de degraus – 1200, para ser mais precisa! –, existem muitos que são irregulares ou altos e dificultam ainda mais o percurso.

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A vista sobre a região é absolutamente incrível

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A minha sugestão: fazer a subida com calma! Não existe nenhum cronómetro ligado, para além de que pelo caminho existem bastantes patamares para podermos descansar e apreciar a vista que, logo a meio, já começa a ser incrível.

Outra dica muito importante é levar bastante água, calçado confortável e aderente, bem como um boné porque no topo existe pouca ou nenhuma sombra.

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O vermelho na cara é da subida 😉

Tesouros escondidos pelo caminho

Atingir o topo é o objetivo, mas durante a subida da montanha encontramos três locais muito especiais.

O primeiro é a Sala dos Frescos. Aqui não é possível tirar fotografias ou filmar, e existe mesmo quem certifique que temos a máquina desligada.

A segurança não é para menos. Trata-se de uma pequena divisão imersa na rocha que guarda as pinturas de figuras femininas que alguns acreditam ser ninfas celestiais e outros creem ser retratos das concubinas do rei. Ninguém sabe ao certo quando estas imagens foram ali colocadas.

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Muro dos Espelhos

Da Sala dos Frescos continuamos a subida, passando pelo Muro dos Espelhos. Engana-se se pensa que este contem espelhos ou que conseguimos ver o nosso reflexo nele. Pelo contrário, é um muro alto que acompanha a ondulação da montanha, com o que à primeira vista julgamos ser rabiscos ou vandalismo criado pelos visitantes.

Soube depois que aqueles “graffitis” escondem frases escritas entre os séculos VI e XIV com considerações sobre as mulheres desenhadas na Sala dos Frescos. Testemunhos de amor à primeira vista e um caso de estudo até hoje.

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O último troço até ao topo

Na última etapa da subida chegamos a um grande patamar e um dos sítios mais simbólicos de Sigiriya: as Patas do Leão.

As gigantes patorras foram descobertas pelo arqueológo inglês HCP Bell, em 1898. Diz-se que foi a única coisa que restou de um monumental leão que tinha sido escavado na face daquele pedaço de montanha, marcando a última etapa da subida, com as escadas a saírem pelo meio das patas no sentido da boca do animal e acesso ao topo.

É também daqui que vem o nome Sigiriya ou como também é conhecido: Lion Rock (Leão de Pedra).

Claro está que, sendo um dos locais mais impressionantes do monumento, é uma verdadeira aventura conseguir tirar uma fotografia sem ter dezenas de visitantes a passar à frente. 😉

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Será que aquilo são ninhos de vespas?…

Visitantes indesejados?…

Também aqui encontrámos uns letreiros muito curiosos alertando os turistas para fazerem pouco barulho naquele local e durante a última subida… por causa das vespas!!

Já vos disse que tenho um verdadeiro pavor de abelhas e vespas?!…

Não só os letreiros eram completamente alarmantes, como nesta plataforma existe uma estrutura com rede, levando a crer que é um porto de abrigo para as pessoas se refugirem das ditas vespas.

Tremendo por dentro, pensei o que penso sempre nestas ocasiões: com tantos milhares de pessoas a passarem por ali diariamente, era preciso ter muito azar que acontecesse logo comigo… Enfim, enganei-me a mim mesma e segui em frente, pensando que talvez aquele fosse um dispositivo de segurança criado pelo Rei Kassapa para dissuadir visitantes indesejados.

Uma das vistas mais incríveis que pode ver

No topo de Sigiriya estende-se um site arqueológico impressionante, onde outrora tinha sido instalado o palácio (ou mosteiro) e onde podemos distinguir as várias divisões da propriedade.

Mas o verdadeiro fascínio aqui é a vista 360º que temos sobre a região. Um cenário de cortar a respiração.

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O trono do rei

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Alguns locais que acompanharam a subida
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O bilhete também dá direito a uma visita ao museu

Curiosos? Espreitem o vídeo:

O que acharam de Sigiriya? Qual foi o monumento mais alto que já tiveram que subir? Como foi a experiência? Partilhem na caixa de comentário mais abaixo.

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23 comments

  1. Que visual magnífico das patas do leão! E você está certa! Nada de afobação! É subir com calma, respeitando os próprios limites e apreciando o presente!

  2. Curto um desafio (se bem que o quesito vespas não me soaram agradáveis) e este lugar me pareceu espetacular! Não só o caminho como o ponto final! As patas do leão são verdadeiramente extraordinárias!

    Sabe que nunca tinha cogitado o Sri Lanka como destino?! Que tolice a minha! Repensando isso exatamente agora! 🙂

  3. Ando com cada vez mais vontade de regressar ao Sri Lanka para finalmente conhecer o país, depois de lá ter estado em condições muito, muito especiais (tsunami de 2004). Acho que está na hora! Obrigado pela partilha. Beijinhos.

    1. Olá, Filipe. Realmente o motivo da tua visita ao Sri Lanka não foi mesmo o melhor. 🙁 Passados estes anos, já não encontrei grandes vestígios desse triste acontecimento. Aliás, as construções continuaram a ser feitas bem próximas da água. Acho que vai valer muito a pena voltares um dia, até para veres como o país tem vindo a evoluir. Beijinhos!

    1. Eheheh É verdade, Rui. E, por vezes, as lendas têm bem mais piada 😉 Obrigada pela visita! Espero que tenhas gostado do blog e que voltes mais vezes. Também já espreitei o teu e acho que já ganhei outro poiso de leitura. 😉

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