Dia Mundial do Turismo

Dia Mundial do Turismo

Hoje assinala-se o Dia Mundial do Turismo e para celebrar a data convidei algumas bloggers portuguesas de viagens a darem a sua prespectiva sobre o turismo sustentável e os destinos que irão estar em destaque no próximo ano.

De Lisboa a Myanmar, passando pela Roménia, a lista de países a visitar no próximo ano é longa. E todos estas viajantes defendem a mesma ideia: se quisermos praticar turismo sustentável, temos que começar por respeitar os lugares que visitamos e seus habitantes. Eu não podia estar mais de concordo!

Diana Guerra, Contramapa

– Como descreverias a tua forma de fazer turismo?

Eu gosto de viajar de forma independente, isto é, gosto de ser eu a marcar os meus voos, os meus hotéis e aquilo que vou fazer em viagem. Sou também uma viajante muito organizada. Antes de partir à aventura, pesquiso bem sobre os meus destinos, o que há para ver, a sua história. Sou um bocado nerd… nas duas últimas viagens que fiz até comprei livros de história para ler antes. No caso do Japão, para mim foi muito importante porque era um desconhecido para mim e com uma cultura bastante diferente.

– Quais os destinos que acreditas que vão estar em destaque no próximo ano? Porquê?

Por Portugal, sem dúvida os Açores e o Gerês estão em crescimento. Acho que existem zonas menos conhecidas de Portugal, no interior, que também estão a crescer, como a zona de Trás-os-Montes e do Douro.

Lá fora, acho que o Peru e a Bolívia estão a dar cada vez mais que falar e, na Ásia, o Myanmar. São estas as minhas “apostas”.

– Qual o destino que recomendarias a um amigo? Porquê?

Epá, isso depende muito do amigo!! Mas vou tentar. A viagem que mais me marcou até hoje foi a road trip que fiz nos Estados Unidos. Comecei na costa leste com Boston e Nova York e fui até à Califórnia, passando por locais incríveis. Os Estados Unidos são aquele país que tem dezenas de países lá dentro, a diversidade é imensa, desde as cidades, ao interior, aos parques nacionais à costa californiana. Recomendo muito! E, depois, como a cultura americana é tão predominante, estamos sempre a encontrar referências.

A parte que mais gostei desta viagem foram mesmo os parques nacionais: Grand Canyon, o Zyon, o Monument Valley, o Death Valley e o Yosemite. São todos de cortar a respiração!

– 2017 foi considerado o Ano Internacional do Turismo Sustentável. De que forma vês que os turistas podem contribuir para um turismo mais sustentável?

De muitas maneiras. Em primeiro lugar, quando marcamos uma viagem, devemos tentar utilizar meios locais, ficando em alojamentos que não façam parte das grandes cadeias e indo a restaurantes locais. Também é importante não incentivar os souvenirs “pastilha-elástica”. Existem tantos souvenirs de má qualidade, que não servem para nada. Os turistas compram, levam para casa e um mês depois estão a deitar aquilo para o lixo. Mais vale comprar um bom produto local do que cinco daqueles souvenirs manhosos. Depois, e como conselho final, é respeitar o destino para onde se vai. Isto inclui não deixar lixo espalhado, ter respeito pelas normas locais e perceber um bocadinho o país para onde vamos, não falar alto em zonas residenciais… porque nós estamos de férias, mas os residentes não estão, certo?

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Marta Chan, Viver a Viajar

– Como descreverias a tua forma de fazer turismo?

Sou a eterna backpacker 🙂 Gosto de viajar com um orçamento limitado mas que me permita fazer tudo o que gosto e desfrutar ao máximo a viagem. O mais importante para mim é imergir na cultura e quando temos um orçamento curto acabamos por interagir mais com as pessoas locais seja através da boleia, frequentar os mesmos cafés e restaurantes por serem económicos ou dormindo na casa deles através do Couch Surfing.

– Quais os destinos que acreditas que vão estar em destaque no próximo ano? Porquê?

Lisboa parece que vai continuar no topo da lista, cada vez mais visitada e recomendada em todos os cantos do Mundo. Embora um destino mais dispendioso, a Islândia tem vindo a ficar mais famosa pelas suas paisagens de cortar a respiração e Bali é agora um dos destinos favoritos de muitos pela qualidade – preço.

– Qual o destino que recomendarias a um amigo? Porquê?

A nível internacional recomendo Myanmar ou Birmânia, isto porque é um país que reabriu portas ao turismo há apenas seis anos e por isso encontra-se no seu estado mais puro, pouco ou nada modificado pelo turismo. As pessoas são simpáticas, ajudam-te imenso e são interessadas na nossa cultura. O país, por seu lado, é maravilhoso!

– 2017 foi considerado o Ano Internacional do Turismo Sustentável. De que forma vês que os turistas podem contribuir para um turismo mais sustentável?

Em vez de dar dinheiro a pessoas aleatórias na rua poderiam pesquisar que escolas ou associações necessitam de dinheiro para realizarem os seus projectos comunitários. Quanto à comida em vez de comerem apenas no hotel ou em restaurantes turisticos experimentarem um restaurante mais local e ir aos mercados fazer compras de frutas e vegetais e ainda souvenirs. Desta forma o dinheiro chega aos que realmente necessitam.

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Catarina Gralha, Mundo Indefinido

– Como descreverias a tua forma de fazer turismo?

Acima de tudo, acredito que, para se compreender realmente um lugar, é extremamente importante conhecer a sua história, a sua cultura e as suas tradições. Por isso, faço um trabalho de pesquisa antes, durante e após cada uma das minhas viagens, para que possa melhor entender o sítio por onde passei. Viajo por conta própria, de mochila às contas (nunca gostei de malas com rodinhas, mas é isto apenas uma embirração minha), e normalmente fico alojada em hostels baratos. No entanto, não acredito que haja uma forma “certa” de se fazer turismo ou de viajar. Por exemplo, eu tenho um gosto especial por museus (excepto os de pintura, confesso), mas isso não quer dizer que toda a gente tenha de os visitar. Todos temos gostos diferentes e, para mim, a forma de viajar é algo de muito pessoal. Penso, no entanto, que é extremamente importante termos uma visão geral do local para onde vamos, e da história daquele país ou região. Por uma questão de respeito para com as pessoas que lá habitam ou habitaram.

– Quais os destinos que acreditas que vão estar em destaque no próximo ano? Porquê?

Canadá e Roménia. O Canadá já teve um destaque especial este ano, devido ao facto de celebrar o seu 150º aniversário, mas penso que no próximo ano ainda vamos ouvir falar muito neste país. Vivi lá durante 6 meses, e foi uma experiência maravilhosa. É um país com uma paisagem natural riquíssima e as pessoas são uma delícia, muito simpáticas e prestáveis, sempre com um sorriso no rosto. Em relação à Roménia, tive o enorme prazer de a conhecer este ano, e é um país lindíssimo. Entrou para a União Europeia em 2007 e, talvez por isso, começamos a ver agora uma melhoria considerável nas suas infraestruturas, em particular ao nível de estradas — que estão ou em muito boas condições (tiveram uma intervenção recentemente) ou em obras para serem melhoradas. E quem pode resistir a uma visita ao país de Vlad Țepeș, o príncipe que inspirou Bram Stoker na escrita de Drácula? ☺

– Qual o destino que recomendarias a um amigo? Porquê?

Posso escolher dois? A Rússia e a Mongólia. Tenho uma paixão enorme pela Rússia desde que lá fui pela primeira vez em 2013. Prometi a mim mesma que voltaria, e assim fiz. Em 2016 regressei à minha querida Rússia, arranjando o transiberiano como desculpa. Se quero regressar uma terceira vez? Sem dúvida! Se fosse mais perto e o visto não fosse tão burocrático, julgo que ia lá todos os anos. Quando falo da Rússia, obviamente que me refiro a São Petersburgo e Moscovo, mas este país não pode ser reduzido a duas cidades. A verdade é que as minhas melhores experiências na Rússia foram a bordo de comboios — onde toda a gente tentava comunicar comigo, mesmo eu não falando russo e eles não falando inglês — e em cidades mais pequenas, como Volgogrado, Irkutsk e Ulan-Ude. Já a Mongólia é aquele país que ainda não foi estragado pelo turismo de massas, que ainda tem uma alma muito própria, e em que as pessoas olham para nós, ocidentais, na rua e querem tirar fotografias connosco, pela mais pura das curiosidades. Ali, nós é que somos o exótico, o diferente. É um país com uma paisagem natural espantosa, onde grande parte do povo é nómada, e onde percorrer os campos a cavalo é uma actividade do dia-a-dia. É aquele país onde a natureza está no seu estado mais puro, e cuja capital, Ulaanbaatar, é uma confusão de prédios da época soviética, ao lado de templos budistas, ao lado de edifícios modernos em vidro, ao lado de gers (tendas) tradicionais. Não dá para explicar, só indo lá. Agora.

– 2017 foi considerado o Ano Internacional do Turismo Sustentável. De que forma vês que os turistas podem contribuir para um turismo mais sustentável?

É curioso que faças essa pergunta, porque ainda há uns tempos me pus a refletir sobre isso. As Nações Unidas falam em 3 categorias de sustentabilidade: económica, social e ambiental. Vamos começar pelo último. É muito difícil fazer viagens de longa distância sem se ter impacto ambiental, não é? Todos nós sabemos que viajar de avião não é das formas mais ecológicas de nos deslocarmos, mas por vezes não há grande alternativa, tendo em conta o tempo de que dispomos e a distância que temos de percorrer. No entanto, quando chegamos ao nosso destino, há escolhas que podemos fazer: andar de transportes públicos e a pé em vez de apanhar um táxi, por exemplo. A nível económico e social, acredito que os turistas têm muito poder. É mais que evidente que o turismo move dinheiro, e todos nós podemos (e devemos) fazer escolhas que ajudem a população local. Um exemplo muito claro disso é na compra das lembranças (eu não consigo resistir a ímanes para o frigorífico, é um problema…). Quando estive no Canadá fiquei um pouco irritada, porque quase tudo o que existia nas lojas de lembranças era feito na China ou na Indonésia. Se estamos num determinado país, faz todo o sentido comprar coisas produzidas nesse mesmo país. É um incentivo ao comércio local, ajuda na dinamização da economia da região e na criação de empregos. Para além de que, ao não haver necessidade de transportar bens de um lado para o outro, o ambiente também é poupado. A partir desse momento, decidi passar a comprar apenas localmente, a pequenos artesãos.

Como uma pequena nota final, queria só dizer que acredito sinceramente que um mundo com mais viajantes (conscientes) seria mundo melhor. É muito simples, se pensarmos nisso… Viajar faz-nos conhecer as outras culturas, entendê-las, respeitá-las. Tira-nos da nossa caixinha, da nossa tão amada zona de conforto, e torna-nos mais flexíveis e tolerantes para com o outro. E pessoas mais tolerantes não têm tanto ódio no coração, não é?

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Sónia Justo, Lovely Lisbonner

– Como descreverias a tua forma de fazer turismo?

Eu não tenho uma forma “standard” de fazer turismo. Acredito que devemos fazer o que nos faz feliz. E se numa viagem o que me apetece é colocar a mochila às costas e ir descobrir um país. Na viagem seguinte posso ir para um resort, ou fazer um circuito turístico.

– Quais os destinos que acreditas que vão estar em destaque no próximo ano? Porquê?

Sem dúvida que Portugal vai continuar a dar cartas no Turismo.

– Qual o destino que recomendarias a um amigo? Porquê?

Para mim Itália será sempre o meu país de eleição. Tem a conjugação perfeita entre gastronomia, pessoas simpáticas, história e cultura.

A primeira vez que estive em Itália foi em 1998, numa viagem em que visitámos várias cidades, foi a primeira de muitas viagens que eu e minha mãe fizemos as duas (a primeira sem o meu pai), e foi muito marcante. Itália está no meu coração.

– 2017 foi considerado o Ano Internacional do Turismo Sustentável. De que forma vês que os turistas podem contribuir para um turismo mais sustentável?

Os turistas têm um papel fundamental na consciencialização global sobre a necessidade da preservação das culturais locais, bem como da fauna e flora. Um exemplo simples é seguir à risca as recomendações locais. Por exemplo nas Berlengas existem cartazes a pedir para não deixarmos lixo na ilha, um gesto tão simples como trazer de volta connosco todo o lixo que fizemos durante o dia, tem um impacto enorme.

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Joana Batista, Viajar Em Família

– Como descreverias a tua forma de fazer turismo?

Faço turismo de uma forma muito personalizada. 🙂 Pesquiso, organizo e marco tudo sozinha, mas sempre a pensar nos gostos pessoais dos vários membros da família. Gosto de variar e experimentar um pouco de tudo desde um hostel a um hotel de 5 estrelas, desde a tasca típica a pratos sofisticados. E normalmente viajo de uma forma muito descontraída, espontânea e com um planeamento em cima da hora (até pode parecer estranho, mas não me lembro da última vez que marquei uma viagem com meses de antecedência).

– Quais os destinos que acreditas que vão estar em destaque no próximo ano? Porquê?

Todos os que proporcionarem experiências e momentos únicos a cada visitante. Porque acho que não interessa se é um destino muito ou pouco conhecido, se é longe ou perto de casa. Interessa sim, conseguir fazer de cada lugar um lugar especial à nossa própria maneira. Importante mesmo é que a pessoa se sinta diferente, mais feliz, rica e completa quando de lá voltar.

– Qual o destino que recomendarias a um amigo? Porquê?

Portugal. A cada regresso de uma viagem internacional, chego sempre à mesma conclusão: Portugal é o melhor país do mundo! É pequeno, mas tem muita diversidade. Tem bom clima e boa comida. Tem segurança e belíssimas paisagens. É que é mesmo difícil conseguir superar isto tudo. 😉

– 2017 foi considerado o Ano Internacional do Turismo Sustentável. De que forma vês que os turistas podem contribuir para um turismo mais sustentável?

Podem sempre que possível apoiar o comércio local, ajudar a população no destino consumindo produtos sazonais e produzidos perto do local de consumo. Andar muito a pé ou em transportes públicos. E algo tão simples, mas ainda tantas vezes descurado: não deixar lixo nos lugares visitados ou não levar da natureza algo mais do que bons momentos.

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2 comments

  1. Excelente iniciativa, Marlene! Gostei imenso de ler as respostas das outras bloggers 🙂 É curioso termos ideias muito parecidas em relação ao turismo sustentável, não é? E concordo com o que várias delas disseram: Portugal é um país incrível. Adoro conhecer o mundo, mas este meu (nosso) cantinho também é maravilhoso.

    (De facto, bem que eu podia ter escrito menos… Tenho de trabalhar nisso!)

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