Extração de Areia — O Novo Perigo Ambiental Para as Nossas Praias?

Há uns dias atrás fui chamada à atenção para um perigo ambiental que está a tomar proporções que desconhecia. De facto, a maioria das pessoas nem deve estar ciente disto. E tudo tem a ver com a extração de areia.

Não falo de uma areia qualquer, mas da areia marítima, aquela que nos entra para o biquini, com a qual os pequenos constroem castelos ou que até trincamos quando comemos uma amêijoa. A mesma areia que compõem os fundos que dão forma a muitas das ondas que estamos habituados a surfar.

A mesma areia é utilizada para fazer alguns produtos sem os quais já não vivemos: vidro, chips de computador, painéis solares e até pasta de dentes. Porém, o principal objetivo da extração de areia é a construção. E essa, infelizmente, é cada vez mais desgovernada.

Extração de Areia Perigo Ambiental

Extração de Areia a níveis nunca vistos

Nos últimos 30 anos, a procura de areia aumentou mais de 300%, com a China a contribuir para esse crescimento.

A lista dos países grandes consumidores de areia continua, com o Dubai a usar esta matéria para construir as suas tão famosas ilhas artificiais. Apesar de ter uma vasta área de deserto, a mesma não é indicada para material de construção, ao contrário daquela que é extraída do mar.

Também a Singapura tem recorrido à areia para expandir o seu território, dando resposta ao aumento da população.

Um Perigo Ambiental

Claro que estes níveis de extração de areia tinham de ter impactos para o meio ambiente. E não são poucos:

  • Entre 75% e 90% das praias do mundo estão a recuar
  • 24 ilhas na Indonésia já desapareceram
  • As Maldivas estão em perigo de desaparecer em 2100
  • Sem a barreira natural que a areia oferece, a água salgada começa a invadir os solos e a prejudicar a agricultura
  • As dragas utilizadas na extração de areia destroem o habitat natural de várias espécies marítimas

Proteger as praias

Mas se precisamos de areia, qual a solução?

Reciclar! Reciclar! Reciclar! O vidro reciclado não só serve para produzir novas peças de vidro, como as partículas maiores podem ser usadas para construir betão.

Falando em betão, o reciclado pode também ser usado na construção, nomeadamente no sector das rodovias. 

E não nos esqueçamos do barro. O processo de transformação de barro em material com a mesma resistência do betão foi recentemente patenteado e pode oferecer até menos 20% de emissões de CO2. Win-win!

Para terem uma ideia do que este mercado envolve, os níveis de consumo de areia ou o perigo ambiental (e não só) por detrás do negócio, deixo-vos com esta infografia.


Sand Scarcity

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